Por Matheus Wendell
Bicha,
travesti, periférica, preta. É assim que MC Linn da Quebrada se define.
Palavras dotadas de excessiva carga negativa, na sua poesia ganham
ressignificados, e são para ela sinônimos de empoderamento, força e
desconstrução.
Linn
faz parte de uma geração na música brasileira atual que tem unido arte e
militância. E foi justamente o funk, gênero extremamente subestimado e deixado
de lado pela crítica musical, que ela escolheu para narrar suas vivências e a
de tantas outras que se identificam com ela. Vivências essas que são
marginalizadas, que não se encontram nas novelas, séries, publicidade, nem na
própria música. E quando retratadas, vêm em tom jocoso, de piada, escárnio.
A
artista, tanto em suas letras quanto em sua postura política, vem para levantar
a discussão sobre gênero, sexualidade e raça. Os papéis socialmente construídos
em torno do masculino e do feminino, a supremacia do homem-hétero-branco-cisgênero,
a segregação que acontece dentro do próprio meio LGBT.
