sábado, 11 de maio de 2019

O conflito entre progresso e tradicionalismo

Descrição para cegos: Ilustração da bandeira LGBT sendo torcida. Dela escorre sangue.  
A cada dia, nossa sociedade evolui nos setores da ciência, tecnologia, medicina, tudo convergindo para prolongar nossa vida na terra. Porém, apesar dessa onda de evolução, o Brasil e outros países vêm sendo marcados pela desvalorização da vida humana. Os que fogem dos padrões impostos, são marginalizados, mortos e silenciados. É cada vez maior o número de pessoas que aderem ao conceito de ‘família tradicional heteronormativa’, repugnando tudo que vai contra esse conceito.
Infelizmente, no ano de 2017, nos Estados Unidos, Donald Jonh Trump assumiu a presidência do país. Seu discurso prometia tornar o país grande novamente, mas isso contrastava com sua concepção a respeito de mulheres, negros e LGBTs. Durante sua campanha, mostrou abertamente o quão machista, racista e homofóbico era, causando revolta em parte da população e identificação, em outra.
Já no Brasil, a tragédia aconteceu em 2019, ano em que Jair Messias Bolsonaro, um político acéfalo, e igualmente racista, homofóbico e machista, assumiu o cargo de Presidente da República Federativa do Brasil, democraticamente eleito. Assim como Trump, Jair trazia em seu discurso, promessas de potencializar a produção brasileira, e de restaurar o cumprimento das leis e bons costumes. Seu discurso tinha como alvo a ‘família tradicional brasileira’, a noção heteronormativa predominante na sociedade.
Descrição para cegos: Ilustração de Jair Bolsonaro fazendo saudação nazista. Ao fundo está a bandeira do Brasil pegando fogo. No centro da bandeira está escrito “ódio e regresso”. Imagem: Blog Tijolaço.
O discurso de ódio disseminado durante a campanha fomentou e fundamentou ações contra quem foge dessa concepção. A população LGBTQ+ sofreu e está sofrendo com isso. Violência física, psicológica e mais, estamos vivendo um genocídio. A frase ‘morreu porque merecia’ se tornou parte do cotidiano. Essa onda de conservadorismo vem atingindo quem difere dos padrões impostos, causando a marginalização de muitos, roubando a liberdade de milhares, tirando o sossego daqueles que não se sentem parte dessa atual conjuntura que prega o progresso e a ordem, mas mata quem busca igualdade de direitos, de vida, de dignidade humana.
Esse suposto progresso busca silenciar e calar as revoluções, o pensar. Quem diria que no século XXI ainda teríamos que lutar para existir, para que seja respeitada a individualidade do sujeito. Sempre houve quem justificasse a homofobia, que é injustificável, isso não é resultado do mandato de Bolsonaro. Fica cada vez mais nítido que foi aceita a cegueira em troca de uma falsa ordem e um progresso fake. A situação em que se encontra nosso país, pode ser facilmente definida como uma selva capitalista onde os privilegiados sobrevivem: homens, brancos, ricos, heterormativos.   
Por: Joyci Medeiros

Apresentando: Bixarte

O ensaio fotográfico traz a artista e poeta paraibana Bixarte. Natural de Tabaão da Serra (SP), Emanuel Felipe Mendes Moreira é filho de nordestinos e se mudou para a Paraíba quando tinha apenas 3 anos de idade. Agora, aos 18 anos, denuncia, através de suas letras, a homofobia, gordofobia e o racismo, interpretando a dor de quem sente na pele o que é ser alvo da gestão Bolsonaro.

Descrição para cegos: Sequência de três fotos. Da esquerda para direita: na primeira foto,  Bixarte esboça um sorriso. O fundo está desfocado, mas é possível identificar algumas plantas. Na segunda foto, Bixarte encara a câmera com uma expressão séria, sua mão esquerda toca o rosto, próximo a seu queixo. Na última foto, sorri.
Descrição para cegos: Na imagem, Bixarte olha para baixo com uma expressão de seriedade. Usa um turbante azul estampado com flores. Ao fundo, são visíveis algumas árvores e carros estacionados.
Descrição para cegos: Sequência de duas fotos. Na foto da esquerda Bixarte, está com a cabeça baixa, sua perna esquerda está apoiada no banco que está sentado. Na foto da direita, está olhando para câmera, sua boca está entreaberta. Seu braço esquerdo toca sua perna, que está apoiada no banco.
Descrição para cegos: Bixarte está sorrindo, olhando para câmera. No fundo desfocado, há uma mulher de costas, sentada em um banco e algumas árvores. 
Descrição para cegos: No centro da imagem, está Bixarte com a boca entreaberta. Seu braço esquerdo está elevado e seu dedo indicador aponta para baixo. É possível ver uma cicatriz em seu braço.
Descrição para cegos: Sequência de três fotos. Da esquerda para direita: na primeira foto Bixarte está com a boca aberta e olhos fechados, ao fundo há uma grande árvore. Na segunda foto, suas mãos estão elevadas apontando para cima, seu olhar está voltado na mesma direção. Na terceira e última foto, seu rosto exprime seriedade enquanto encara a câmera. Sua mão esquerda aponta para cima.
Descrição para cegos: Sequência de duas fotos. Nas duas, Bixarte aparece com seu braço levantado, enquanto olha diretamente para câmera.
Descrição para cegos: Bixarte aponta com o dedo indicador para seu esquerdo, enquanto recita um poema.
Descrição para cegos: Bixarte gesticula com as duas mãos. No fundo, há dois pilares brancos e, por trás destes, uma parede azul que se sobrepõe a árvores e um céu azul no canto superior da imagem.
Descrição para cegos: Bixarte se apresenta debaixo de uma árvore.
Descrição para cegos: Bixarte aparece introspectivo. Olha para baixo. O fundo é composto por uma árvore e, à direita, uma parede vermelha.
Descrição para cegos: Bixarte aparece do lado direito da imagem com uma camisa cinza desabotoada.
Descrição para cegos: Sequência de cinco fotos em que Bixarte performa um de seus poemas. Aparece com uma camisa cinza desabotoada. Ao fundo, é possível ver folhas de uma árvore.
Descrição para cegos: Bixarte olha fixamente para frente. Seu aspecto é reflexivo.
Decrição para cegos: Bixarte veste uma camisa azul; esboçando sorriso, olha acima da câmera.
Descricao para cegos:  A panturrilha direita de Bixarte aparece no campo central da imagem sobre seu joelho esquerdo. Não é possível ver o rosto do artista na imagem. Bixarte mexe os polegares de modo introspectivo. No seu pulso esquerdo, há um relógio cor de prata e uma pulseira de cores variadas.
Descrição para cegos: Bixarte aparece no lado direito da imagem, sorrindo, com sua mão elevada à altura de seu rosto.
Por: Mariani Pontes

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Infográficos: Veja a participação de personagens LGBT+ nas novelas nacionais desde 1970

Descrição para cegos: Cena da novela amor e revolução onde Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) se beijam. Marcela toca o rosto de Marina ao beijá-la. Por: Lourival Ribeiro/SBT

A revista Superinteressante, que possui uma abordagem mais descontraída, produziu no ano passado alguns gráficos que nos permitem visualizar a passagem dos personagens LGBT+ nas novelas nacionais. A análise inicia-se em 1970 com a novela “Assim na terra como no céu” e segue até a novela “A força do querer”, realizada em 2017. Além de mostrar o avanço em números com o passar das décadas também podemos visualizar a porcentagem de cada letra da sigla e os tipos de final nesse modelo de produção que vem com regularidade construindo estereótipos da comunidade LGBT+ há anos. Veja a matéria aqui.
Por: Esdras Alves

A importância do aconselhamento psicológico para população LGBTQ+

Descrição para cegos: Fachada do prédio onde funciona o Centro de Cidadania LGBT em João Pessoa. 
Nos últimos 4 anos, houve um aumento significativo no número de suicídios cometidos por pessoas LGBTs. São poucas as políticas públicas que visam a saúde mental dessa população, que é tão importante quanto a saúde física, principalmente em uma sociedade homofóbica como a que vivemos. Prova disso são os números apresentados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) no relatório sobre mortes de LGBTs no Brasil em 2018. Foram registradas 420 mortes em decorrência de homo e transfobia, dessas, 99 por suicídio. A heteronomatividade imposta pela sociedade gera preconceitos, adoece e exclui essas pessoas do meio social, dificultando seu acesso à educação, oportunidades de emprego e uma boa qualidade de vida, deixando-os em condições de vulnerabilidade.
Pensando nisso, o Centro de Cidadania LGBT de João Pessoa, desenvolveu o serviço de atendimento e acompanhamento psicológico. O centro atende cerca de 60 pessoas por mês, vindas da capital e de outros estados, como Brasília e Manaus.
Uma das profissionais responsáveis pelos atendimentos no centro é a psicóloga Jô Oliveira. Ela explica como é feito o processo inicial de acolhimento: “A demanda inicial é algum colega que indicou, ou uma demanda espontânea mesmo. Têm casos de a pessoa estar passando aqui de frente, e o prédio chama atenção do usuário (que é como nós chamamos), então ele entra para saber sobre o serviço e a partir disso inicia o processo de acolhimento”. Jô relata também que muitas vezes os usuários do serviço chegam ao local em busca de emprego ou residência em abrigos, já que foram expulsos de suas casas por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero, e é nesse momento que são informados sobre o serviço de acompanhamento e aconselhamento psicológico oferecido no local, mas nem sempre há interesse ,visto que sua prioridade no momento é a sobrevivência: onde vão viver e como irão se manter, colocando suas questões psicológicas em segundo plano. Isso dificulta até mesmo a frequência às consultas, visto que muitos não dispõem do dinheiro da passagem para chegar até o centro. Nesses casos, ocorrem consultas esporádicas, mas que os ajuda a lidar com suas questões e problemas enfrentados.
Descrição para cegos: Imagem feita durante entrevista com a psicóloga Jô Oliveira. A entrevistadora está de costas para câmera, a sua frente, está Jô, gesticulando com as mãos. Ao fundo, há um quadro pendurado na parede com uma representação dom mar. Foto: Matheus Cirne


Outra entrevistada foi a estudante Paula de Fátima, que está cursando o último período do curso de Psicologia e atualmente é estagiária na clínica, acompanhando 5 pacientes. Ela reconhece as dificuldades existentes no atendimento à comunidade LGBT. “A gente não tem uma rede bem apropriada. Tem essa aqui que faz o possível e o impossível, dentro das suas limitações para proporcionar o bem-estar dos pacientes”. A discente de psicologia relata que alguns dos seus pacientes já tentaram cometer suicídio, mas com o acompanhamento psicológico, o quadro foi revertido, com alguns tendo recebido alta e seguido com suas vidas normalmente.
Segundo Jô Oliveira, em muitos atendimentos, os usuários chegam passando por algum tipo de crise, e recebem uma consulta a fim de serem tranquilizados e acalmados. “Quando o usuário chega surtado, eu prefiro usar a abordagem do TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) que trabalha com o aqui e agora. São usadas práticas para conter o usuário e ele sair daqui bem até para outro encaminhamento”. Nesses casos o paciente não passa por acompanhamento, apenas por uma escuta no momento de crise.
Citando o aumento nos casos de suicídio dentro da comunidade LGBT+, ela comenta: “as pessoas suicidas pensam em morte 24h, só que elas pensam na morte delas como um alívio daquele sofrimento, não como algo que vai acontecer para todo mundo. O suicida, é muito difícil ele se matar na primeira tentativa, ele quer chamar atenção. Ele está pedido socorro, ‘me vejam! ’. Então, acontece a primeira, segunda, terceira tentativa, até que uma hora, vai”. Para ela, o que essas pessoas desejam é serem acolhidas, se sentirem parte de algo e entender que não são diferentes por conta de seus desejos ou por não se identificarem com seu sexo biológico, visto que isso é algo pessoal e individual de cada sujeito.
Diante disso fica clara a importância de políticas públicas que ofereçam a essa população, que acaba sendo marginalizada e excluída, uma melhor qualidade de vida, com mais oportunidades de emprego, serviços de acolhimento e aconselhamento psicológico para que possam desfrutar de uma condição de vida digna, assegurando-lhes sua cidadania, como todos os outros indivíduos que compõem a nossa diversa sociedade.
Por: Joyci Medeiros

Criança é vítima de transfobia em campeonato sul-americano de patinação e provoca relato emocionado de seu pai

Descrição para cegos: Maria Cavalcanti posa para foto com uma mão no peito e outra ao ar enquanto sorri a frente de banner do campeonato sul-americano de patinação artística. Por: Arquivo Pessoal


No último mês a atleta Maria Joaquina Cavalcanti, de apenas 11 anos, sofreu uma série de ataques transfóbicos ao ser classificada e participar da competição sul-americana de patinação artística infantil. Gustavo Uchôa Cavalcanti, seu pai e treinador, conta detalhes do acontecimento em um relato emocionado à revista Marie Claire. Clique aqui para ler o relato. 
Por: Esdras Alves

Centro de Cidadania LGBT realiza, no próximo dia 16, feira de serviços em alusão ao mês de combate à LGBTfobia.

Descrição para cegos: Foto contendo a fachada do Centro de Cidadania LGBT no município de João Pessoa. Foto: Matheus Cirne.



Por Matheus Cirne

     No mês do enfrentamento à violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, o Centro de Cidadania LGBT de João Pessoa promove, no próximo dia 16, das 08h às 12h, uma feira de serviços com diversas ações voltadas à população LGBT.
       A feira ocorre um dia antes do Dia Internacional contra a Homofobia (17), data em a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), no ano de 1990.
       De acordo com Louise de Assis, assessora técnica do Centro, a feira contará com a presença de diversas empresas parceiras e oferecerá serviços como: assessoria de currículo, cadastramento no programa bolsa família, inscrição no Banco Cidadão do município e realização de teste rápido de HIV.
        O Centro de Cidadania LGBT fica localizado no Parque Sólon de Lucena, ao lado do Procon Paraíba. Para mais informações, entre em contato através do número (83) 3214-3709.



quinta-feira, 9 de maio de 2019

Arte drag: transcendendo os limites das questões sexuais e de gênero

Descrição para cegos: a drag Bob The Drag Queen aparece na foto. Sob um fundo amarelo, a queen apresenta maquiagem em tons neon e segura um incenso. Foto por: David Ayllon.




Por Matheus Cirne


           Ao longo da história, homens têm se vestido de mulher como uma forma de arte. Desde a Grécia antiga, quando então as mulheres eram proibidas de se apresentarem nos teatros, os homens passaram a usar roupas femininas para as representarem.    
       Com o passar do tempo, a arte drag foi se modificando e sofreu um processo de adaptação. Se, no passado, servia para suprir as necessidades da falta de mulheres no teatro, hoje, firmou seu espaço dentro da cultura pop e é considerada uma forma de ativismo e de resistência do público LGBTQ+.
        O nome, que tem sua origem na língua inglesa, vem do verbo “to drag”, que significa arrastar, em português. Ele faz referência às longas roupas femininas que se arrastavam pelos palcos durante as apresentações.
        Tendo seu surgimento na Grécia antiga, a arte drag perpassou os séculos se moldando às necessidades de cada época. Fosse na Inglaterra do século XVI de Sheakespeare, ou na Europa dos séculos XVIII e XIX, homens se vestindo de mulher serviam apenas à propósitos cômicos ou específicos do teatro, sem nenhuma intenção política.
        Somente partir do século XX, com o surgimento e a consolidação da cultura pop, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, a arte drag pode se ressignificar e ganhar espaço. Isto se deu pelo fato de que a cultura pop, ao se consolidar, possibilitou uma maior abertura em relação à comunidade gay.
        Nos ambientes de encontro da comunidade, especialmente os bares, as drag encontraram espaço para se montarem e divulgarem a arte. Entre as décadas de 1960 e 1990, se tornaram um símbolo da luta pelos direitos LGBTQ+, em manifestações que marcaram a história da comunidade LGBTQ+, a exemplo dos protestos de Stonewall, em 1969,na cidade de Nova Iorque.
        Nos dias atuais, devido, em grande parte, à influência causada pela drag queen estadunidense Rupaul Charles, através do seu programa de televisão “Rupaul’s Drag Race”, a arte drag se encontra cada vez mais disseminada. O espaço conquistado por Rupaul, especialmente nos anos 1990, quando esteve presente em diversos programas televisivos, em filmes e em álbuns musicais, foi essencial para que as portas se abrissem para uma arte drag mais politizada e engajada com as causas LGBTQ+.

Descrição para cegos: drag queen Rupaul aparece na foto em preto e branco sorrindo. Veste um maiô e um sobretudo transparente. Foto por: Getty Images.


       Hoje, Rupaul evidencia a arte drag para todo o mundo com seu programa de televisão que já conquistou 3 Prêmios Emmy. O programa revolucionou as cenas drags locais de inúmeros lugares pelo mundo e realiza um importante trabalho de conscientização acerca da arte.

Descrição para cegos: foto promocional do reality show Rupaul’s Drag race, contendo as participantes da nona temporada da atração. Foto por: reprodução.

       Resultado desta influência é a presença cada vez mais comum de drags em programas televisivos, na moda, na música e em diversos outros setores do entretenimento. No Brasil, drags queens como Pabllo Vittar e Gloria Groove movimentam o cenário da música pop nacional, com canções que se mantém no topo das mais ouvidas. 


Descrição para cegos: a drag queen brasileira Pabllo Vittar em foto promocional do seu disco “Não para não”, lançado no ano de 2018. Foto por: divulgação.

Na Tv, as drag queens Ikaro Kadoshi, Rita Von Hunty e Penelopy Jean possuem um programa no canal fechado E!, no qual ajudam mulheres a encontrar sua diva interior.
Quando se fala na arte drag, não se fala em apenas um único estilo. Existe uma variedade de formas de expressar a arte, que podem tanto ser femininas quanto apresentarem um estilo andrógeno, que brinque com os dois gêneros.
Dentre os muitos estilos drag, merece destaque o estilo que ficou conhecido como Club Kid. Este estilo marcou a cena drag nova-iorquina nos anos 1990 e foi caracterizado pelo seu senso de moda exótico e fora dos padrões de gênero. Uma das drag queens mais influentes deste movimento foi Leigh Bowery, que com seu estilo irreverente, marcou a cena drag não somente estadunidense, mas também internacional.

Descrição para cegos: a drag queen Leigh Bowery aparece, diante de um fundo rosa, com rosto expressivo e unhas grandes de cor amarela. Foto por: Werner Pawlock.

Há também drag queens voltadas a um estilo que personifique uma pessoa famosa, ou as que sejam focadas na comédia. Ainda, existem os drag kings, mulheres que buscam em seus visuais e transformações personificarem os estereótipos do gênero masculino.

        Ser drag queen é realizar uma ode à feminilidade. Não importa o estilo, nem se quem pratica a arte é homem ou mulher, cis ou trans, gay ou hétero. A arte, que cada vez mais influencia o mundo em suas diversas áreas, não possui regras e é um convite à quebra de convenções sociais. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Ainda sigo esperando

Por: Matheus Cirne



Ainda que quisesse, ainda que pudesse, não sei se seria capaz de perdoar. Dizem que perdoar é necessário, mesmo que você não se esqueça. O perdão torna o ser humano mais leve, feliz. 

Mas, como eu poderia perdoar? Como perdoar aqueles que um dia tiraram minha vontade de viver e sufocaram minha felicidade pelo simples fato de eu ter tido a coragem de ser quem eu sou? 

Não, eu não sei se quero, nem se consigo. O que para os meus algozes foi uma simples brincadeira, para mim foi o meu calvário, um ataúde preenchido pela dor que tive que carregar todos os dias por aqueles corredores.

Um peso tão grande do qual eu não estava preparado e nem tinha o direito de suportar. Ainda que aguentasse, que lutasse e dissesse para mim que eu era mais forte que aquilo, as palavras ditas se marcaram em meu coração, os risos e as gargalhadas de desdém ficaram gravadas em meus ouvidos. Será que alguém conseguiria suportar isto? Me pergunto.

As vozes ainda ecoam. “Bixa”, “viadinho”, “não queremos que você aqui, perto de nós”. Eu ainda lembro.
Eles dizem que o tempo cura tudo, mas eu ainda sigo esperando. 

Violência contra LGBTs foi “política de estado" na ditadura militar

Descrição para cegos: Homossexuais protestam nas ruas e seguram faixa com a frase "contra a discriminação do/a trabalhador/a homossexual". Por: Fernando Uchoa.

A matéria de Jefferson Puff para à BBC Brasil revela a violência contra LGBTs apurada no relatório final da Comissão da Verdade entregue à ex-presidenta Dilma Rousseff no final de 2014. Segundo Renan Quinalha, um dos responsáveis pela pesquisa que levou ao relatório, apesar de não poder ser dito que houve uma política de extermínio, é nítido que a perseguição se tratou de uma política de Estado. Os resultados do relatório revelam as principais violações à comunidade LGBT na época e até a participação de grupos de esquerda em atos de LGBTfobia. Clique aqui para ler a matéria.
Por: Esdras Alves

terça-feira, 7 de maio de 2019

Número de mortes de pessoas LGBT+ no Brasil sobe 28,8% de 2014 a 2018


Dados divulgados pela organização Grupo Gay da Bahia mostram aumento no número de vítimas no país que mais mata pessoas transexuais no mundo.

Por: Beatriz Barros

Os dados divulgados no último relatório publicado pelo Grupo Gay da Bahia mostram que, em 2018, 420 pessoas LGBT+ foram mortas no Brasil. Em 2014, foram 326 vítimas. Ao longo dos 5 anos, houve uma variação nos números de mortes, que alcançaram seu pico em 2017 – ano que teve a maior quantidade de vítimas da LGBTfobia já registrada em toda a trajetória da organização.
Durante todo o período, houve um aumento nos índices das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, enquanto a região Centro-Oeste obteve uma leve diminuição.
Descrição para cegos: gráficos com dados recolhidos do Grupo Gay da Bahia, referentes ao número de mortes LGBT+ por região, segmento LGTB+ e faixa etária. Por: Beatriz Barros
- Em 2014, as regiões com maior número absoluto de mortes foram o Nordeste, com 123, e o Sudeste, com 109.
Em 2018, esses números subiram para 146 e 137, respectivamente.
- No Norte, Centro-Oeste e Sul, os números foram bem menores: 26, 45 e 22 em 2014 e 51, 45 e 41 em 2018.
- Dentre as 64 mortes de pessoas transexuais em 2018:
    - 81 Travestis
    - 72 Mulheres trans
    - 6 Homens trans
    - 2 Drag queens
    - 2 Pessoas não-binárias
    - 1 Transformista

- Transexuais representam a parcela mais vulnerável a mortes violentas, e correm 17 vezes mais risco de serem assassinadas do que pessoas homossexuais.
- A predominância de idade das vítimas mostra que a população jovem, em idade produtiva e com sexualidade mais ativa é o principal alvo da LGBTfobia. Em 2017, ano com maior número de mortes, 53,5% das vítimas estava nessa faixa etária.

Entrevista com Darius X Moreno

Darius Moreno no Instagram (@dariusxmoreno). Descrição para cegos: Darius aparece sentado.
O uso meticuloso de cores ácidas preenchem as telas do artista visual estadunidense Darius Moreno. Quase sempre protagonizadas por personagens negras e figuras andróginas, suas obras navegam a hipnose estética afro-americana do início dos anos 2000. Eu conversei por e-mail com o animador, escultor, ilustrador e pintor que mora em Nova Iorque, mas é originalmente de Washington D.C, sobre a espontaneidade política de sua arte.

Você considera sua arte política?
Até certo ponto, sim. No entanto, eu nunca crio minha arte para ser, intencionalmente, política. Acho que os assuntos que eu escolho representar (minorias étnicas) podem ser lidos politicamente, dependendo do propósito da obra. A representação dos meus personagens, geralmente, possui uma certa androgenidade. Um dos meus objetivos é que as pessoas sejam seduzidas até o meu trabalho por meio da atração, mesmo que isso deixe algumas delas desconfortáveis. Espero que meu trabalho possa criar novos espaços para discussões que precisam ser tidas.

Capa da mixtape “Dick Appointment 3” de Dylan Ali por Darius Moreno, 2019. Descrição para cegos: Pintura de um homem negro nu, com fundo azul. As palavras “Dick Appointment 3” aparecem no canto inferior da imagem.
Ver homens negros assumindo sua homossexualidade com confiança me ajudou a perceber a masculinidade negra sob uma luz diferente

Um de seus trabalhos mais recentes me chamou a atenção - a arte da capa da nova mixtape de Dylan Ali, "Dick Appointment 3". Me conte mais sobre como a masculinidade negra é incorporada nas suas ilustrações.
É um termo que estou tentando redefinir através da minha arte. Quando penso em masculinidade negra, penso nos estereótipos de como um homem negro deve aparentar e se comportar. Quando eu criei essa peça para Dylan, estava procurando por estrelas de pornôs gays dos anos 70. Por alguma razão, a pornografia era levada muito mais a sério nessa época. Ver tantos photoshoots de homens negros assumindo sua homossexualidade com confiança, me ajudou a perceber a masculinidade negra sob uma luz diferente. Eu quero que ela seja vista em meu trabalho através de múltiplas lentes, já que é um conjunto de características que devem ser definidas por nós de maneira individual. 

Seu trabalho é bem centrado em torno de mulheres (mulheres negras, especificamente). Fale sobre o papel que elas desempenham no seu processo criativo.
A mulher negra é o que mais me inspira. Eu cresci com minha mãe, minha irmã mais velha e minha irmã gêmea. Então, ser criado em torno de todas essas mulheres afetou meu senso de realidade. Sempre notei o quão desrespeitadas as mulheres negras eram na vida, o que me fez perceber o quanto elas merecem apreciação. Eu fiz a minha missão de sempre destacar a beleza dessas mulheres porque foram elas que me criaram. Acredito que as negras são responsáveis ​​por várias das tendências de moda, por conta da criatividade que elas colocam em sua aparência do dia-dia. E por tudo isso, as mulheres negras merecem todo o louvor.

Quando eu faço a arte das capas de projetos musicais para artistas, quase sempre estou modelando os interesses amorosos com mulheres trans em mente
Capa do segundo álbum de estúdio do rapper Goldlink, "At What Cost", 2017. Descrição para cegos: Na ilustração, à esquerda, aparece um homem negro segurando notas de dinheiro. Á sua direita, duas mulheres negras próximas uma da outra. Elas vestem roupas pretas curtas. Mais para direita, um homem negro se encosta em um carro roxo com detalhes amarelos. O homem segura a mão de uma mulher negra que caminha para a direita. O fundo é composto por chamas na parte inferior e tons de azul na parte superior.

O hip-hop e o rap são um grande tema do seu trabalho. Está por toda a sua arte, você se inspira bastante na iconografia dessa cultura. Mas, olhando para como a relação entre o hip-hop e a identidade LGBTQ+ existiu, historicamente, em um terreno tênue, te pergunto: onde fica o espaço para essa identidade no hip-hop? Na comunidade de rap, por exemplo, há tentativas claras de normalizar a violência contra pessoas LGBTQ+ através de letras de músicas. Como você, que se identifica como queer, navega nesse espaço?
Como uma pessoa queer, minha relação entre o hip-hop e a comunidade LGBTQ+ é difícil. Quando eu era pequeno, eu só ouvia rappers mulheres como Lil Kim porque sentia que ela estava falando comigo e com outros garotos gays que também se sentiam excluídos. Na medida em que meu amor pelo hip-hop cresceu e eu comecei a notar a homofobia na indústria musical, tive que parar para refletir o porquê de ainda estar tão atraído pela música. Para falar a verdade, acho que comecei, a partir disso, procurar por pistas nas letras que poderiam ser consideradas “gays” ou “questionáveis”, já que todos nós sabemos que muitas das pessoas no hip hop não são assumidas sexualmente por causa da pressão de serem gays e negras. Isso me ajudou a sentir como se as canções estivessem falando comigo. Agora, que faço parte dessa indústria, incluo easter eggs da cultura gay em todo o meu trabalho. Não vou ser muito específico, mas muitas vezes quando eu faço a arte das capas de projetos musicais para artistas, quase sempre estou modelando os interesses amorosos com mulheres trans em mente. Aliás, sempre me surpreendo com as peças que os rappers geralmente escolhem. Felizmente, os rappers com quem trabalhei não são homofóbicos. Mas, recentemente, eu tenho me desviado do hip-hop e escutando mais jazz e música alternativa, principalmente porque a homofobia no hip-hop mainstream se torna frustrante.

Descrição para cegos: Na ilustração à esquerda, aparece o rosto de um homem negro, pintado com tons de amarelo, laranja e verde. O fundo é vermelho. A ilustração à direita apresenta o rosto de uma mulher negra, pintada com tons fortes de azul. A mulher tem brincos de argolas amarelas. O fundo é rosa.
Por: Mariani Pontes

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Relação entre transexualidade e saúde no Brasil

Descrição para cegos: Bernardo Mota sorrindo de perfil a frente de um hospital. Por: Correio Braziliense.

Os problemas no atendimento de saúde brasileiro para travestis e transexuais são o foco na reportagem de Hellen Leite. Ela expõe como ainda são precarizados e de difícil acesso os procedimentos e acompanhamentos necessários para essa população, apesar da existência de políticas públicas que garantam esses direitos. A matéria integra uma serie de reportagens produzidas para o Correio Braziliense que procuram descrever as várias faces que a exclusão e a violência podem assumir quando se é transexual no Brasil. Para acessar a matéria clique aqui.
Por: Esdras Alves

Resenha: Boy Erased: Uma Verdade Anulada (Filme)

Descrição para cegos: Em primeiro plano, à esquerda, está Nancy Conley, cabisbaixa; em segundo, Marshall Conley da mesma forma para, à direita. Ao fundo, entre o casal de atores que representam seus pais, está Jared Eamons olhando para frente, sério.

O filme, que causou polêmica ao não ser lançado nos cinemas brasileiros no início de 2019, ano este, marcado pela posse de um governo conservador e estreitamente ligado com a bancada religiosa, deixou várias dúvidas na comunidade LGBTQ+ sobre o que havia por trás dessa desistência. Entretanto, em resposta ao site B9, a Universal Pictures comunicou através de sua assessoria que o cancelamento se deu por questão única e exclusivamente financeira, decorrente do baixo arrecadamento de bilheterias nos EUA.  Após a discussão ter reverberado nas redes sociais, a empresa anunciou posteriormente o lançamento do filme no país em DVD, como uma resposta ao público. O lançamento do filme em home video ocorreu no último dia 17.

“Boy Erased: Uma Verdade Anulada” é baseado no livro homônimo, escrito por Garrard Conley, que utiliza um pseudônimo para relatar o que passou ao entrar em uma terapia religiosa que pretendia reverter a sua homossexualidade. O diretor, Joel Edgerton, intercala a terapia com os momentos que a precederam e levaram o jovem Jared Eamons (Lucas Hedges) a assumir sua sexualidade em casa. Para isso, Jared teve de enfrentar seu núcleo familiar extremamente religioso e conservador. Seu pai, Marshall Conley (Russel Crowe), é pastor em sua igreja e foi inicialmente apoiado pela sua esposa, Nancy Conley (Nicole Kidman), ao decidir levar o filho à terapia “Love in Action”, a qual descobriu consultando outros servos ministeriais. É apenas após várias reclamações de Jared que sua mãe se opõe à terapia e percebe o dano que causou ao seu filho por colocá-lo naquele espaço.  Por fim, Jared deixa a terapia e escreve sobre o que passou através de um artigo para o Times e um livro.


Descrição para cegos: No primeiro plano estão Nancy e Marshall, lado a lado, aparentemente contentes ao assistir um culto e ao fundo está Jared com rosto sério e ar sombrio.

O momento de autodescoberta de LGBTs com raízes na vida cristã é o foco do filme. O processo de autodescoberta por si só sempre traz uma natural insegurança frente à construção do homossexual no âmbito social como um todo, mas o recorte do grupo que frequenta os espaços de pregação que legitimam tais falas é único e acumula desafios particulares.

De antemão, gostaria de dizer que, com isso, não falo que todos os espaços cristãos são efetivamente homofóbicos. A comunidade LGBTQ+ já pode contar com locais de pregação e culto tidos como LGBTQ+ friendly em várias partes do mundo, inclusive, no Brasil. Tampouco digo que a LGBTfobia se restringe a espaços de culto cristão, visto que outras grandes religiões possuem líderes homofóbicos e transfóbicos.

Entretanto, o que não pode ser omitido é que atualmente esses cultos cristãos e intolerantes não estão nem ao menos próximos de terem sido extintos, principalmente aqui no Brasil, tendo em vista o rumo político que o país e a própria igreja evangélica vivem, concomitantemente, desde que se aliaram em um projeto de retrocesso dos direitos humanos. Dito isso, falarei aqui apenas sobre o recorte anteriormente mencionado de LGB’s que frequentam os numerosos espaços homofóbicos cristãos. A discussão da transfobia em ambientes religiosos, apesar de riquíssima, não é explorada no filme.

Esses espaços de culto usam a religião para afirmar a homossexualidade como algo moralmente desviante e, portanto, contemplam a homofobia como parte fundamental de seu conjunto de condutas necessárias para a salvação espiritual no pós-vida. Assim, a homossexualidade acaba sendo de fato vista lado a lado à atos ilícitos e criminosos como o uso de drogas proibidas, roubos ou até homicídios.


Aqueles LGBs que crescem nesses espaços, ao mesmo tempo em que desenvolvem desejos homossexuais tendem a encarar internamente o que lhes foi postulado enquanto conduta desviante como um defeito pessoal incompreensivelmente indissolúvel. É neste dilema que se encontra o jovem Jared Eamons de 19 anos, que incialmente se esforça em abnegar seus desejos em troca de uma aceitação, anterior à familiar, uma aceitação interna e complexa de ser alcançada ao se alimentar o repúdio à toda a comunidade LGBTQ+ como princípio moral no espaço cristão. 

O filme retrata esse momento de forma justa construindo um protagonista introspectivo e quase meditativo. Jared fala pouco e nitidamente não possui naturalidade na fala nem no comportamento. Seus gestos e expressões são comedidas e muitas vezes soam falsas. 

Descrição para cegos: Jared segura as grades que limitam o espaço da "terapia", enquanto observa fixamente o exterior.

Ao trazer a personagem quase como que aprisionada, o filme escrutina as barras de sua cela explorando os métodos de construção do comportamento sexual, tanto masculino quanto feminino, elencados pela terapia como passos básicos e iniciais no processo de reversão da homossexualidade. É nítido que ao tentar fingir um comportamento mais grosseiro e ligado ao conceito errôneo e popular de masculinidade, Jared se sente desconfortável.

“Fake it ‘til you make it” é o lema repetido em momentos dessa terapia na intenção de forçar um comportamento que nitidamente não pertence aquelas pessoas. Infelizmente, esse lema ecoa para muito além dos muros das terapias de “cura-gay” em uma sociedade onde muitas vezes LGBTQ+s são indicados a serem o que são de modo escondido, para que sejam merecedores da dignidade, a qual em realidade, é inerente a existência humana.

Descrição para cegos: Jared e Nancy estão sentados à cama. Jared está cabisbaixo e sua mãe o observa seriamente, com olhar preocupado, enquanto segura sua mão.

A aceitação familiar é discutida de modo mais aberto e óbvio, mas ainda sim muito interessante. Visualizar a série de ameaças que estão ligadas a esse tipo de aceitação me parece a melhor abordagem que o filme possui ao denunciar momentos em que o amor familiar é sugerido como moeda de troca para se obter a heterossexualidade do filho.

O papel da família, tanto no momento da autodescoberta quanto em sua revelação ao mundo, é extremamente influente no porvir da vida de cada LGBTQ+ e isso pode ser resgatado no filme através não só da libertação que Jared aparenta ao ser apoiado por sua mãe.

Histórias paralelas a sua no “Love in Action”, também mostram o outro lado da moeda. Dentre elas, a de Cameron (Britton Sear) é a mais marcante. O jovem é agredido fisicamente com bíblias e tapas enquanto é colocado em uma situação de humilhação pública, tanto pelos funcionários da terapia, quanto por seus familiares, no intuito de que desistisse de sua condição sexual. Até mesmo crianças são estimuladas a agredi-lo. Por fim, algum tempo depois Cameron comete suicídio.

Descrição para cegos: Um dos orientadores da terapia está em pé e aponta um caixão enquanto toca no ombro de Cameron. Ele o encara indicando que será esse o futuro de sua alma se continuar sendo homossexual. Cameron está sentado, cabisbaixo e visivelmente triste, com os braços entre as pernas. 
Apesar de tratar uma dura realidade ao contar experiências tão recentes e atuais como a de Cameron, o filme também nos ajuda a continuar em uma luta que já mostra resultados semelhantes aos de Jared. Filmes como este precisam continuar a repercutir e sensibilizar pessoas ao revelar um pouco mais da realidade LGBTQ+, que parece ser secundarizada até por várias alas do campo progressista em momentos de crise econômica, como os que o Brasil vive.

Nós da comunidade LGBTQ+ precisamos atualmente continuar gritando que nossa pauta é literalmente caso de vida ou morte,  utilizando dos meios de expressão de forma didática como Boy Erased, louvavelmente, se utiliza do cinema. Para a população, principalmente em um momento em que as ideias ligadas aos direitos humanos são tão deturpadas, esse elemento é fundamental e acredito ser o grande feito da obra de Edgerton.

Por: Esdras Alves

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Pesquisadora traça a luta das feministas lésbicas no Brasil

Descrição para cegos: Integrantes do Somos, GALF e SOS Mulher, reunem-se na sede do GALF, 1983. Por: Acervo Rede de Informação Um outro olhar


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texto publicado na Revista CULT por Marisa Fernandes, mestre em História Social pela USP e pesquisadora do Coletivo de Feministas Lésbicas, expõe-se um breve panorama da história do feminismo lésbico no Brasil, que desde o início enfrenta obstáculos, como: o machismo nos grupos do movimento LGBT e a homofobia no movimento feminista. A autora também comenta como a visibilidade lésbica dentro do próprio movimento LGBT permanece sendo um desafio para o grupo, que atualmente, também se organiza de forma independente em busca do reconhecimento de suas pautas específicas. Para acessar a matéria clique aqui.
Por: Esdras Alves